- Performing Matters
- HAZE
- Phantom Sensation
- DISEMBODIED, 2022
- Stance, 2022
- Pé-sombra, 2022
- From within the midst of things, 2022
- Einfühlung, 2021
- Column, 2021
- HEAD HAND, 2021
- Hold, 2021
- Ventriloquism, 2021
- Fold IV, 2021
- Floating bones, 2020
- Sensations, 2021
- Ensaio. Pausa, repete, 2020
- Sem Título, 2020
- Rhythm, 2019
- Mergulho, 2015
- Non-figurative situation — The economy of the presence, 2017
- Affectionate encounter, 2018
- Continuous construction, 2018
- Ramp, 2018
- Levar a cabeça aos pés, 2017
- Curva Contínua, 2018
- Accept, adapt. (SOLID EMOTIONS), 2019
- Multiple heads (SOLID EMOTIONS). 2019
- Untitled (SOLID EMOTIONS), 2019
- The worry trap (SOLID EMOTIONS), 2019
- Real Feel, 2018
- SOLID EMOTIONS, 2019

Músculo, 2016
Duration: 20’ (aprox.).
Performance at Rua das Gaivotas nº 6, Lisbon.
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Músculo, 2016
Duration: 20’ (aprox.).
Performance at Rua das Gaivotas nº 6, Lisbon.
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MÚSCULO
A exposição apresentada na Galeria Pedro Oliveira, desenvolve-se em três momentos, distribuídos respectivamente pelas três salas da galeria. Na primeira sala, apresentam-se duas esculturas, “Atletas” e “Aparelho”, os títulos remetem-nos para o universo do desporto, do exercício. “Atletas” é composta por dois grandes painéis de MDF, um colocado na vertical, outro na horizontal, sobre o qual surgem dois elementos disformes construídos pela acumulação de barro contra uma estrutura de ferro. As duas figuras aparecem voltadas uma para a outra, compondo juntamente com os painéis uma composição simétrica em que se convoca uma certa teatralidade. As figuras surgem como que num ringue, prontas a debater-se, crispadas . “Aparelho” é uma escultura de traços minimalistas, uma barra assente em dois cubos, um em cada uma das suas extremidades, feitos a partir de uma madeira vermelha com origem no Brasil. Esta sólida estrutura pode remeter-nos para as barras de exercício de ginástica, ou para um obstáculo, mas a sua escala afasta-a dessas possíveis funções e deixa-nos apenas com a sua forma, ante a incerteza sobre a sua possível utilização.
Na segunda sala, deparamo-nos apenas com um trabalho colocado ao centro e bem arrumado junto à parede. “Composição” constrói-se a partir de um conjunto de diferentes materiais: ferro, chumbo, latão, vidro, esponja, vidro acrílico, cartão, madeira e cerâmica. Estes materiais organizam-se sobre um rectângulo de ferro sobre o chão. Nesta composição, objectos encontrados convivem com materiais que foram moldados para assumirem determinada forma, ou que integraram trabalhos anteriores e se emanciparam ainda no espaço do atelier; outros que se modificaram pela acção do tempo ou da luz; ou ainda materiais que não foram sujeitos a qualquer processo e se encontram no estado em que foram adquiridos. Esta construção revela sobretudo modos de organizar, associados a uma pretensa funcionalidade. Encontrar o lugar para as coisas, compor , é algo que fazemos intuitivamente e se manifesta na forma como dispomos as coisas à nossa volta ou mesmo nos deslocamos no espaço. O modo como decidimos colocar um objecto perto do outro é definido por um conjunto de regras, de carácter subjectivo e nem sempre consciente, que nos levam a agrupar elementos com as mesmas características físicas, proveniência, ou utilização, num determinado lugar. O mesmo acontece aqui, numa composição que torna manifesto um diagrama prévio, que de algum modo continha em si já este resultado.
A arquitectura da terceira sala da galeria é marcada pela presença de quatro colunas que se impõem recortando o espaço vazio. Sobre estas colunas apoiam-se agora pinturas. Ao entrar na sala deparamo-nos com vários planos de cor terra de Siena queimada . Um conjunto de seis pinturas com o mesmo formato, distribuem-se pelas colunas e paredes, e obrigam o observador a deslocar-se para aceder a todas elas. Nas três primeiras pinturas que vemos, percebem-se gestos amplos, realizados num só golpe, adivinha-se o modo como o corpo os descreveu e gravou, subtraindo tinta à superfície da tela. À medida que percorremos o espaço encontramos novos planos, onde mais gestos se inscreveram. Ao fundo, a última tela, revela gestos mais contidos, movimentos interrompidos, alguns firmes e curtos, outros longos e ondulantes. Esta súbita alteração da escala, faz com que a experiência das pinturas anteriores, se perceba agora de outra forma, como se tivéssemos mergulhado na superfície da tela, e acabássemos de deambular entre estas marcas e camadas de tinta; ou, como se as marcas anteriores, que dentro do perímetro de cada tela medem a força com o contorno e a matéria, se encontrassem agora no mesmo plano e se debatessem em gestos e ataques que se multiplicam numa intrincada coreografia.